PCR Digital
Na prática clínica, a PCR digital (dPCR) é utilizada para a detecção e quantificação de alterações moleculares específicas, sobretudo em cenários onde a carga tumoral é baixa, como por exemplo, na biópsia líquida.
Por meio da partição da amostra em milhares de microreações independentes, a dPCR permite a quantificação absoluta de alvos genéticos, sem necessidade de curvas padrão. Isso possibilita a identificação precisa de variantes em baixíssima frequência alélica, muitas vezes não detectáveis por métodos convencionais.
Esta estratégia permite a detecção e quantificação de mutações acionáveis como as pontuais nos genes BRAF, EGFR ou KRAS, ou fusões gênicas com altíssima sensibilidade, viabilizando o monitoramento da resposta ao tratamento e orientando decisões terapêuticas.
O sistema disponível (QIAcuity) oferece fluxos de trabalho padronizados, alta reprodutibilidade e integração com ensaios validados, o que favorece sua implementação em laboratórios clínicos.
A PCR digital tem aplicações que vão muito além da oncologia graças à sua alta sensibilidade e capacidade de quantificação absoluta. Ela é empregada no diagnóstico e monitoramento de doenças infecciosas como HIV e COVID-19, na detecção de variantes raras e mosaicismo em doenças genéticas, em testes pré-natais não invasivos (NIPT), além de aplicações em doenças neurológicas, cardiovasculares, autoimunes, estudos de microbioma e no acompanhamento de terapias gênicas baseadas em tecnologias como CRISPR, consolidando-se como uma ferramenta versátil e precisa na medicina de precisão.